terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Teimosia




(a Jackson Sampaio)

Meu amor, não amanheceu.
Como queres a luz do dia?

Acabou de escurecer.
Não podes querer agora
que a semente que plantaste
te dê sombra.
É preciso a espera diligente.

Kairos não é teu inimigo.
Não acredite em outra vida
além,
além do que te cabe
e podes abraçar.

Queres contemplar
os movimentos deste instante
de olhos fechados.

Houve uma sequência
de meteoros
e não podes dizer-me
em que lado do céu ocorreu.

Imaginar é bonito,
mas viver é viver.

Policarpo Sendas








* Muito Bom!

sábado, 8 de dezembro de 2012










só gastanto o juizo.
passando a borracha!

não sei o que pensar
nem o que analisar.

ver os dias voando é o que faço
é tanto que..
é tanta poeira nesse rosto!


CB


o que eu escrevo não tem forma
não tem graduação
não tem situação de mim.
é uma extrema confusão
que de alguma forma
so serve para te tocar.


Camila Barros

domingo, 2 de dezembro de 2012

Se puder sem medo - Oswaldo Montenegro

Deixa em cima desta mesa a foto que eu gostava
Pr'eu pensar que o teu sorriso envelheceu comigo
Deixa eu ter a tua mão mais uma vez na minha
Pra que eu fotografe assim meu verdadeiro abrigo
Deixa a luz do quarto acesa a porta entreaberta
O lençol amarrotado mesmo que vazio
Deixa a toalha na mesa e a comida pronta
Só na minha voz não mexa eu mesmo silencio
Deixa o coração falar o que eu calei um dia
Deixa a casa sem barulho achando que ainda é cedo
Deixa o nosso amor morrer sem graça e sem poesia
Deixa tudo como está e se puder, sem medo
Deixa tudo que lembrar eu finjo que esqueço
Deixa e quando não voltar eu finjo que não importa
Deixa eu ver se me recordo uma frase de efeito
Pra dizer te vendo ir fechando atrás da porta
Deixa o que não for urgente que eu ainda preciso
Deixa o meu olhar doente pousado na mesa
Deixa ali teu endereço qualquer coisa aviso
Deixa o que fingiu levar mas deixou de surpresa
Deixa eu chorar como nunca fui capaz contigo
Deixa eu enfrentar a insônia como gente grande
Deixa ao menos uma vez eu fingir que consigo
Se o adeus demora a dor no coração se expande
Deixa o disco na vitrola pr'eu pensar que é festa
Deixa a gaveta trancada pr'eu não ver tua ausência
Deixa a minha insanidade é tudo que me resta
Deixa eu por à prova toda minha resistência
Deixa eu confessar meu medo do claro e do escuro
Deixa eu contar que era farsa minha voz tranqüila
Deixa pendurada a calça de brim desbotado
Que como esse nosso amor ao menor vento oscila
Deixa eu sonhar que você não tem nenhuma pressa
Deixa um último recado na casa vizinha
Deixa de sofisma e vamos ao que interessa
Deixa a dor que eu lhe causei agora é toda minha
Deixa tudo que eu não disse mas você sabia
Deixa o que você calou e eu tanto precisava
Deixa o que era inexistente e eu pensei que havia
Deixa tudo o que eu pedia mas pensei que dava

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

remédios naturais para canções matemáticas



para algumas soluções existem milhares de bulas.

imagine o que fazer na areia;
imagine o que fazer no mar;
imagine o que fazer enquanto corre; 
imagine o que tomar enquanto pensa..
enquanto estás tensa,
enquando tenta morrer de chorar.

analise todas as possibilidades.
viaje em todas as cidades.
torne cada parada na estação,
uma nota a menos nessa canção problemática.

fique reta, olhe para cima, impulse tudo para a boca e grite!
gritar também é uma boa solução.
vem em todos os timbres possíveis...
(até da mesma pessoa)

divista-se.

quando voltar para si, não se sinta louca.
para algumas soluções existem milhares de bulas.




camila barros
 


quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Lontra voadora

(LEIA OUVINDO: Radiohead - Faust Arp -- http://www.youtube.com/watch?v=QUQx0xmp44E)

a lontra foi embora.
e ela iria novamente!

acredite,
muitas coisas que temos vão embora.
seja para o coração, para a cabeça
ou para qualquer lugar esquecido dentro dos olhos.


(...)


- ploft!
- o que foi isso André?
- ela foi embora Maria.








Camila Barros

domingo, 18 de novembro de 2012

vertebras



Nas vértebras da minha poesia
Eu levo as rédeas do descontrole
Eu lavo as peças desse controle
Eu destruo toda forma de poder.
Nas vértebras da minha poesia
Eu deixo toda secreção sentimental
Toda lagrima que nunca caiu;
Toda palavra que nunca fugiu!
Nas vértebras, e somente nelas
Eu rasgo meu pacote de tentativas de fuga
Para consumir os pedaços que restam;
As tentativas que ainda prestam
E a coragem que sempre passou por mim.
Nas vértebras da minha poesia
Eu carrego esse tudo de tudo
Inclusive as vértebras exaustas
As dores que se instalam sem pedir
E a vontade de continuar
Nas tuas vértebras

Camila Barros



feito em 07/11/2006

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

soluções



você deve suportar mais
como mulher
você deve se portar mais
como mulher.

somente isso.





Camila Barros

Não há vagas


O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão
O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras
- porque o poema, senhores,
está fechado:
“não há vagas”
Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço
O poema, senhores,
não fede
nem cheira

Ferreira Gullar

terça-feira, 13 de novembro de 2012

A melhor página passou.

(Leia ouvindo Natalie Imbruglia - Counting Down The Days: http://www.youtube.com/watch?v=30RGX_A9drs)








Não me julgue. 

Você nao soube conversar... Você tem apenas algumas poucas reclamações sobre mim e eu... Eu tenho páginas e páginas! 
Eu tive motivos suficientes para nao ficar, para nao te olhar mais e nao te sentir mais - pois tu estavas distante. Eu tive motivos demais para fechar a porta nos teus ouvidos. Na verdade eu ainda os tenho! Todos aqui, em ordem alfabética.

Sabe por que eu não fui?
Por que eu queria que tudo fosse como prometemos; mas nao foi né!? Eu nao fui por que quis ainda alcançar o céu e colocar todos os dias uma estrela lá, mas nao alcancei. 
Muitas noites eu estava só; muitos dias eu estive vazia.

Sabe por que eu nao me calei?
Por que chorar me parecia a melhor solução. O soluço me parecia melhor que falar. O pular do coração me pareceu melhor que aconselhar minha mente.

Entao nao me julge.

Você nao soube me falar a verdade.
Mas eu a conheço.

Sei que você veio e disse que ia embora e sua cabeça pesava e estava para explodir! Sei que seu peito estava quase saindo pelas mãos, pois a sensação corria ligueiro por você. Sei também que pegar a mochila e sair foi melhor.

(Então voce se foi mesmo.)

Depois de alguns anos eu espero que me julgue.
Pois eu estarei sentindo aquela sensação da música que nunca sabemos o nome e ouvimos as vezes.


Camila Barros